David Gilmour emociona com bends, solos e um fraseado melódico incomparável

Por Gabriel Costa, Lizandra Pronin e Marcel Jabbour (TDMúsica), 14/12/2015 - 19h45
Emocionante é a palavra que define cada um dos dois shows que o guitarrista David Gilmour realizou na capital paulista nos dias 11 e 12 de dezembro. Veja um resumo de como foi cada uma dessas apresentações.


Sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Na sexta-feira, o primeiro show do músico no País, o Allianz Parque teve parte de seu gramado - a porção da pista em frente ao palco - forrada de cadeiras, para que o público assistisse ao show sentado.

Por muitos anos foi esperada uma vinda de Gilmour ao Brasil, mas os boatos nunca se concretizaram. Ms logo que tocaram as primeiras notas da guitarra de Gilmour, o público a submergiu na atmosfera onírica floydiana. Em "Rattle that Lock", faixa que dá título ao novo álbum do músico, surge no telão um mapa-múndi, com uma luz localizando São Paulo: não precisava de mais para os fãs gritarem e assoviarem tão alto quando o som que saía das caixas.

Já na quarta música, Gilmour acerta o coração dos fãs do Pink Floyd: "Wish You Were Here", com violão base de Phil Manzanera, fez o público cantar junto e se emocionar. "Money", outro clássico floydiano, teve um pequeno problema. Mas no maior bom humor, Gilmour mandou: "Obrigado, só queríamos obter a atenção de vocês", antes de recomeçar a bela canção.

Destaque para o brasileiro João de Macedo Mello, saxofonista da banda que acompanha Gilmour. O jovem de 20 anos fez tão bonito que ao ser apresentado por Gilmour, o público o aplaudiu efusivamente demais. Tanto que, em tom jocoso, o guitarrista brincou: "É o suficiente!".

Dividido em duas partes, com um intervalo de 20 minutos entre ambas, o show contou com "Astronomy Dominé", do primeiro disco do Floyd, da época de Syd Barret. O músico também foi lembrado pelos fãs em "Shine On You Crazy Diamond (I-V)" - a música foi feita para Syd - quando o show teve um de seus momentos mais emocionantes.

Após o blues com pegada jazzy "The Girl in the Yellow Dress" e "Today", com andamento um pouco mais agitado, mais dois Floyds encerraram o set: "Sorrow" e "Run Like Hell" - nessa última, todos os músicos usaram óculos escuros. O bis teve "Time/Breathe reprise" e "Comfortably Numb".

Uma coisa é certa: quando a guitarra entra solando, é impossível não admirar o timbre, a articulação, os bends e a classe de um dos maiores guitarristas do rock, inventor de uma estética que ficou famosa no mundo todo, e dono de um fraseado melódico incomparável.


Sábado, 12 de dezembro de 2015

No segundo dia, sábado, o show teve uma confiuração diferente: todo o gramado serviu de pista. Quando os relógios marcavam pouco mais de 21h00, as luzes do lotado Allianz Parque se apagaram, os músicos subiram ao palco e todos ouviram as primeiras sons de "5 AM", faixa de abertura de do mais recente álbum do guitarrista, "Rattle That Lock".

É absolutamente impossível não se arrepiar com o primeiro bend que David arranca de sua Fender. O repertório segiu o mesmo do show da noite anterior. A emoção, também. Embora seja notório e natural que os momentos de maior delírio aconteçam durante as músicas de sua ex-banda, Gilmour também consegue levantar o público com suas canções mais recentes.

"Money" e "Us and Them", além de "Wish You Were Here" - essa arrancou lágrimas da palteia - fizeram a alegria dos fãs de longa data. "Fat Old Sun" ganhou uma bela iluminação alaranjada para caracterizar o Sol, enquanto "The Blue" ganhou um palco totalmente azul.

Vale comentar a parafernália que o músico trouxe para a iluminação do palco. Além do telão circular tão conhecido dos fãs, as luzes e os lasers criaram um espetáculo à parte nos dois shows. Junto à música, essa explosão de luz e cores torna a apresentação ainda mais grandiosa.

Ao final, com o público deixando o estádio, é possível ouvir vários grupos comentando e desejando: que a primeira vez de Gilmour no Brasil não seja a última.

Confira algumas fotos dos shows de David Gilmour em São Paulo
(Fotos: Lauro Capellari / TDMúsica)